Transferências culturais

Transferências culturais no domínio da Imprensa (século XIX e XX)
Sao Paulo, 17-22.07.2011

Transferências culturais no domínio da Imprensa (século XIX e XX)
Coordenadores: KATIA AILY FRANCO DE CAMARGO (Doutor(a) - UFRN), VALERIA DOS SANTOS GUIMARAES (Pós Doutor(a) - PUC/USP)
Resumo: A história das transferências culturais concerne aos diálogos e imbricações estabelecidos entre a produção nacional e estrangeira. Conceito criado pelos alemães Michel Espagne e Michael Werner a partir da revisão dos conceitos da literatura comparada, parte do pressuposto de que tal abordagem permite uma visão global das relações culturais. Tal foco permite colocar a experiência local em perspectiva frente ao contexto mais amplo e torna possível compreender suas singularidades. Não é dada ênfase aos mecanismos de aculturação, nem se faz uma mera comparação das diferenças e convergências nacionais. Ao contrário, a tendência é deixar de lado a ideia de influência para privilegiar a de sobreposições ou de "zonas de contato", para se utilizar do conceito de Mary Louise Pratt.
Dentro desta perspectiva, este mini-simpósio tem como objetivo reunir pesquisadores cujo foco seja a investigação das trocas culturais no domínio da imprensa brasileira ou estrangeira. Partimos do pressuposto de que a imprensa não se constituiu de maneira autônoma mas como um sistema de relações, nos quais as atividades dos mediadores – livreiros, editores, impressores, tipógrafos, proprietários de jornais, diretores, escritores, tradutores, jornalistas, viajantes etc. – e das instituições – bibliotecas, gabinetes de leitura, livrarias, editoras etc., ocupam lugar central. É importante observar que nosso enfoque não se define pelo viés de uma investigação das relações diplomáticas entre os países. Ele se inscreve na pesquisa da história cultural, mais especificamente na história da leitura da imprensa.
O mini-simpósio será articulado em dois eixos principais: 1) A presença da imprensa estrangeira no Brasil; 2) A presença da imprensa brasileira no estrangeiro. Sempre com ênfase nas interações, nos diálogos e seus resultados. As trocas nunca ocorrem em um único sentido mesmo que sua lógica tenha sido, a princípio, a hegemonia dos países ditos centrais tais como França, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha (para a América Espanhola) ou Portugal (para o ex-colônias portuguesas). Temos como referência autores como Marlyse Meyer, Diana Cooper-Richet, Jean-Yves Mollier, Marie-Ève Thérenthy, Lise Andries entre outros.
Justificativa: Para a história da imprensa periódica a abordagem com base nas transferências culturais é uma necessidade devido ao caráter global que esta produção teve desde seu início. De fato, há uma tendência para um estudo integrado da produção impressa, tanto de livros como de periódicos, a qual corresponde à integração entre áreas de estudo e centros de pesquisa isolados. Mas, enquanto a circulação de livros é melhor conhecida, os caminhos do jornal e das revistas não são. Em outras palavras, esta circulação deve ser analisada no contexto da integração mundial do mercado de periódicos.

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Valeria Guimaraes : Cette adresse e-mail est protégée contre les robots spammeurs. Vous devez activer le JavaScript pour la visualiser.

http://www.snh2011.anpuh.org/simposio/view?ID_SIMPOSIO=461